Karl Marx

                                                              

    Karl Marx foi um pensador do século XIX. Um dos primeiros a criticar o modelo democrático que estava ascendendo aos poderes e dando fim as monarquias absolutistas européias. Teve como grande companheiro em seus livros e outros trabalhos, Frederich Engels.

    Sua ideia mais conhecida é o Comunismo, todavia, Marx teve influência em diversos pontos da sociedade. Foi muito influente no século XIX, sendo usados seus pensamentos em diversas revoluções pelo mundo.

           

A história para Marx

 

    Começarei falando do pensador que pode ser considerado o “pai” de Marx na filosofia, Hegel. Este criou um pensamento de que a história é movida pela dialética. O que significa isso? A dialética consiste em discordâncias, oposições e contradições.

    Então chegamos ao primeiro ponto do pensamento marxista, o materialismo dialético, isto é, a dialética dentro de um bem humano. Podemos dizer assim que para Marx, esta materialização da dialética são as revoluções – Marx usa a frase “As revoluções são a locomotiva da história”.

    Ainda dentro da história, encontramos outro ponto da ideia com outra frase feita por ele: “A história da sociedade até aos nossos dias é a história da luta de classes”. Vemos nisso que a história possui um fim, que seria quando acabassem todas as classes sociais.

 

A crítica ao Capitalismo

 

    Esta crítica pode ser iniciada a partir de sua discordância frente John Locke. O mesmo dizia que existiam leis naturais do ser humano que são imutáveis. Já Marx dizia que isto era fruto do Capitalismo e era mentira que elas sempre existiram.

    Com isso, a crítica ao egoísmo e a inveja humana podem ser explicadas pela seguinte frase: “Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência”. Ou seja, estes pecados humanos seriam extintos quando a sociedade fosse mais igual, tendo em vista que não teria mais porque haver isto.           

    O ser social quer dizer, o ser que vive em sociedade, isto é, seu meio é que dá suas características.

 

A Práxis

 

    Outra crítica feita é aos filósofos; para ele se ocupam demais com o pensamento e esquecem a prática. Por isso, Marx é considerado um filósofo Práxis.

    A Práxis é uma ação dialética entre a teoria e a prática, por isso podemos dizer que Marx é o primeiro filosófo a agir nestes dois campos.

 

A Alienação

 

    A ideia marxista de alienação é diferente da humanista. Marx coloca a alienação ligada ao trabalho, ou um trabalho alienado. O trabalho alienado é visto quando o trabalhador é alheio ao que produz, não tem nenhum poder sobre.

    Nos Manuscritos, Marx diz que o homem pode ainda ser duplamente alienado. Isto quando ele não pode decidir o que e como produz ao não ser o senhor do seu trabalho.

    Em uma sociedade alienada, cresceria a vida pessoal que representa o ponto em que o indivíduo acha que não afeta e nem é afetado por uma única pessoa.

    Muitos dizem que Marx coloca a causa para a alienação a propriedade privada, mas na verdade é o contrário, esta é uma consequência, já que o trabalhador alienado não teria posse sobre nada, gerando a concentração.

 

Os modos de produção

 

    Em O Capital, Marx coloca os meios de produção sempre divididos em dois aspectos: as forças produtivas e a relação de produção. A primeira representa a matéria-prima, as ferramentas, o maquinário e os recursos físicos. A segunda representa a relação entre o senhor e o trabalhador. Este segundo aspecto, para Marx é o formador das classes sociais.

    Há dinamismo entre estes dois aspectos. A principal forma é a Luta de Classes. O entrave entre estas formas forma a revolução social. Outro motivo para isso, segundo Marx, é também o desejo de ter coisas – “fetichismo da mercadoria - que é criado pelo Capitalismo.

    Uma frase de Marx que deve ser destacada é a seguinte: “O que distingue uma época econômica de outra, é menos o que se produziu do que a forma de o produzir”.

Isto é, a forma de se produzir caracteriza cada sociedade. Darei o exemplo primeiramente do Feudalismo, em que o servo possuía suas ferramentas, mas usava as terras do senhor; havia uma dívida dos servos que os prendia ao Senhor Feudal. No mercantilismo – que entrou no lugar do Feudalismo -, a escravidão transformava o trabalhador em propriedade, ele não possuía nada.

    Vemos assim uma maneira de mudar a sociedade. Deve se alterar os modos de produção.

 

Luta de classes

 

    Esta parte é muito trabalhada no Manifesto do Partido Comunista. Primeiramente, Marx argumenta que para uma classe chegar ao poder, ela deve ter os objetivos e interesses da sociedade em geral – da maioria – e não apenas desta própria classe.

    A divisão das classes sociais estaria representada em seu lugar na produção. A renda não estaria ligada.

    A classe que possui o capital consegue explorar a outra que não possui. A forma de exploração é feita a partir do excedente e principalmente da mais-valia. O excedente é o que sobra da produção - a industrialização permitiu o aumento do excedente – e é comercializado, é a fonte de lucro.

    A mais-valia é outra forma de obtenção de lucro. Representa o valor extra do que rende um trabalhador pelo que ele ganha. Isto é, a diferença entre o que ele produz e o que ele recebe.

    Marx coloca como a única forma para a resolução disso a união da classe operária. Estes teriam que dominar os meios de produção – que são dominados pela burguesia – e perceber que há um interesse em comum entre eles.

    Com a dominação dos meios de produção, o proletariado deveria fazer uma dominação cosmopolita dos produtos, além de internacionalizar as indústrias. Diferente da burguesia, os trabalhadores por serem a maioria agiriam segundo os ideais da maioria da população mundial.

 

A revolução

 

    Karl Marx acreditava que a ascensão do Socialismo ocorreria nos países capitalistas mais desenvolvidos, em decorrência das diversas contradições do seu crescimento e das crises que assolam os países mais desenvolvidos ciclicamente.

    Durante parte do século XIX, Marx e Engels apoiaram os movimentos democráticos de oposição. Segundo eles, para chegar ao Socialismo, deveria haver duas revoluções; a primeira acabaria com o Absolutismo monárquico e entraria uma democracia; muito rapidamente, os Socialistas conseguiriam fazer outra revolução tirando a burguesia.

    Esta proposta dada pelos dois é muito complicada, tendo em vista que o armamento bélico da burguesia é muito superior ao do operariado. Entretanto, uma crítica feita por Marx ao movimento democrático é de que a burguesia usa os trabalhadores que não sabem do que estão fazendo parte. No movimento socialista todos saberiam do que estão participando, já que qualquer trabalhador estaria disposto a ficar igual a um membro da burguesia.

    Vale lembrar que para Marx, pelos trabalhadores serem a maioria, eles teriam mais facilidade – ainda mais se não fossem, como diz Marx, “alienados”. Este foi um dos motivos para a busca de mais revolucionários no campo; seria importante uma união entre os operários e os camponeses.

    Sobre a questão do pacifismo do Socialismo Utópico, Marx fez duras críticas; para ele seria necessário o uso da força. O sufrágio universal seria algo de extrema importância, entretanto, naquela época só existia em poucos países – Inglaterra, Holanda e Estados Unidos –, os quais eram democráticos.

           

Socialismo e Comunismo

           

    Após a revolução Socialista ser executada, a primeira ação deveria ser a imposição da ditadura do proletariado – não uma democracia como muitos imaginam. Além disso, haveria planos de estatização e abolição da propriedade privada (toda terra seria do Estado).

    O Estado seria totalmente dominado pelo operariado que deveria com o passar do tempo universalizar todas as instituições que por fim seriam abolidas. O poder público passa a perder totalmente os motivos para a existência.

    Uma observação feita por Marx na Crítica ao Programa de Gotha, importante de ser comentada – sobre os meios de produção - é que no Socialismo ainda haveria trabalho assalariado e mais valia, porém o lucro seria investido em prestações de serviços sociais.

    Ao chegar no ápice do desenvolvimento do Socialismo, finalmente será possível viver no Comunismo, quando o ser humano poderá viver por meio de suas habilidades e potencialidades, além de receber conforme for preciso.

             

Referências:

 

MARX, Karl e ENGELS, Friedrich – O Manifesto do Partido Comunista

MARX, Karl – O Capital

MARX, Karl e ENGELS, Friedrich – A ideologia Alemã

TEXIER, Jacques – Revolução e democracia em Marx e Engels        

 

PS: Por Karl Marx ser o pensador mais cobrado no vestibular além de ser o mais conhecido, decidi escrever um texto mais aprofundado e explicativo.